A diferença sutil entre karma e bhakti.



A sutil diferença entre karma e bhakti –yoga


    O objetivo de todas as formas de yoga ou religião é alcançar o Senhor Supremo, no sentido de obter ou ‘re-obter’ nossa relação com Ele, em outras palavras, o objetivo de todos os seres é obter amor puro por Deus. Para este único fim, várias religiões incluindo textos védicos muitas vezes indicam o caminho de karma-yoga para se alcançar este fim, porém sabemos que apenas devoção pura pode conceder este amor puro. Aqui surge a pergunta: Como é isto? Parece contraditório!. Na verdade Bhaktivinod Thakur em seu Jaiva Dharma diz que é muito difícil compreender a sutil diferença entre karma e bhakti, pois muitas vezes bhakti é visto como sendo karma e karma é visto como sendo bhakti. Bhaktivinod Thakur explica tudo isso em livros como Bhakti Tattva Viveka, Seu comentário da Gita e outros.
   Por exemplo, os brahmanas de casta praticam archan, vandana etc... e os bhaktas também praticam estas mesmas ‘angas’. Por que a diferença? Os brahmanas de casta (que estão no caminho  de karma-khanda) tem desejos por coisas temporárias fúteis como desfrute sensorial e liberação. Ao contrário os bhaktas rendidos a deus tem o único objetivo de satisfazer Deus e assim obter amor puro por Ele. Esta é a principal diferença entre os dois. Porém, ainda sim, muitas vezes um bhakta pode na verdade esta praticando karma enquanto um niskama-karmi-yogui (aquele que performa karma entregando os frutos a Bhagavan) pode esta praticando bhakti (ainda que não-pura). Se um karmi performa ações piedosas e entrega o resultado a Deus, então tal ação  lhe concederá créditos (sukriti) para um dia associar-se com uttama vaishnavas e chegar ao processo de bhakti pura. Neste caso, tal atividade pode ser chamada de 'o começo de bhakti' como Gurudev explica no capítulo cinco da Gita. Por outro lado, se um bhakta performa bhakti yoga, porém desejos como desfrute sensorial ou liberação ainda permanece em seu coração e sem que o praticante esteja 100% determinado a aniquila-los, então tal pratica será apenas karma e nunca bhakti, embora tal pratica também pode conceder sukriti, para um dia começar o processo de suddha bhakti o qual a primeira qualificação é sraddha, fé firme. O ponto aqui é que desejamos trilhar o caminho de suddha-bhakti. Srila Gurudeva nomeou sua Sociedade de Sociedade Internacional de Bhakti Yoga Pura, e não de Sociedade de Sukriti ou bhakti misturada com karma. Devemos a todo custo satisfazer o desejo Dele, praticar suddha-bhakti  ‘sem misturas’. Sem este tipo de fé e desejo, ninguém pode começar o processo de suddha bhakti. Visvanath Chakravarti Thakur escreveu no seu Madhurya Kadambini, Sraddha tata sadhu sanga ta bhajana kriya ..... nistha, ruchi, asakti, bhava, prema. Porém qual tipo de fé é essa requisitada como a primeira qualificação? Gurudev explica: “Sraddha é fé inabalável de que se eu cantar os santos nomes e praticar ‘saranagati’-entrega total e rendição total a guru-vaisnavas e Bhagavan, minha vida será exitosa, a parte disso não farei mais nada, não perderei meu tempo com coisas temporárias e gastarei todo meu tempo praticando suddha-bhakti, ‘faça ou morra’”. Esta é a atitude para o começo de bhakti-yoga, Então sem esta firme convição, tudo que fazemos é na verdade karma e não bhakti. Ao contrário se um karma-yogui pratica alguma ação piedosa e entrega os resultados a Deus, então tal ato será bhakti misturada com karma, o resultado quem dará é bhakti e mesmo que esteja misturado com karma, ainda sim lhe dará créditos para um dia vir a performar suddha bhakti.
    Então, devemos tentar compreender e analisar, estou praticando bhakti ou é tudo karma? Isto deve ser pensado com cautela, se não, corre-se o risco de passar toda a vida praticando karma mesmo após ter obtido a associação com o Uttama Bhagavata Vaishnava.
   É por isso que o Bhagavad Gita também dá instruções para a prática de karma yoga. Srila Bhakti Ballabh Tirtha Goswami Maharaj, explica sobre isto em seu livro “taste of transcendence’. Ele diz que Krishna através das instruções do Gita, vem trazendo as jivas de diferentes naturezas, até a pratica de suddha-bhakti, através de karma e gyana e chegando a bhakti. Por que se alguém performa karma e entrega os resultados a Krishna, então ali há algo de bhakti. Se alguém estuda os vedas – gyana, o qual o objetivo é conhecer Deus, Bhagavan, então ali também há algo de bhakti e assim gradualmente a pessoa chega a ter fé em Bhakti-devi. Por isso é dado estes outros processos na Gita. Ainda sim, no final da Gita krishna Diz: “sarva dharma parityajya ...” Abandone todas as idéias anteriores e rende-te a mim apenas.” Parace também contraditório, na verdade os vedas são muito difícil de ser compreendido sozinho, por isso ouvir os sastras de Sri Guru é necessário. Os Acharyas tem declarado fortemente que ‘karma kanda gyana kanda kevala visera bhanda’ ‘O caminho de karma e gyana parecem néctar mas são como venenos’. Como harmonizar tudo isso? Se alguém pratica karma e gyana da maneira certa como foi falado acima isto lhe dará qualificação para suddha bhakti no futuro, sem dúvida, porém qualquer erro de conduta ou engano nas regras e regulações, todo o esforço nestes 2 caminhos serão infrutíferos, Gurudev explicou isso em kartik 2006 e deu o exemplo de Ravana que era erudito nos Vedas mas com má conduta se degradou. Então por isso não se aconselha karma ou jnana (gyana) á ninguém em ultima análise. Ao contrário, se alguém performa suddha bhakti com desejo sincero apenas em servir Krishna, qualquer engano ou conduta errada (api cet suduracaro), Krishna o perdoará e lhe concederá os frutos eternos mesmo assim. (Claro que se erros graves ocorrem mais de uma vez, significa que tal aspirante não é sincero e terá que sofrer as reações). Na verdade até mesmo os bons resultados vindo de karma e gyana praticados perfeitamente, vem de bhakti, da devoção que eles performam tais atividades, então as pessoas com créditos piedosos eternos (nitya sukriti) vão rejeitar todos os outros caminhos, vão se render completamente a guru-vaisnava e bhagavan e esforçar-se 24 horas em seu serviço.

  Todas as religiões de hoje incitam a pratica de karma-yoga. O Bhagavad Gita também fala sobre karma etc.. porém devemos compreender que tais religiões apesar de fidedignas são chamadas por B.Thakur no Jaiva Dharma de Naimistika, religiões temporárias, pois o fruto do karma é quase sempre temporário e mesmo que obtenha o resultado positivo se transformará em bhakti no futuro. Ele diz que apesar das religiões serem aceitas, na verdade só há uma religião, ela é Vaisnava Dharma, Nitya dharma, essa é a religião de todos os seres, por ser a faculdade natural e eterna da alma - amar a Deus. Classifica-se tal religião de acordo com o desejo do coração, situado na alma, e não por cor, raça ou credo. Os Muçulmanos de Navadvip praticaram esta religião Bhagavat Dharma após Chandi Kazi ser instruído por Mahaprabhu. Ou seja, qualquer pesssoa de qualquer religião ou nascida em qualquer família pode praticar bhakti yoga, vaisnava dharma e então a designinação corpórea será esquecida e dará lugar ao eterno. Ela será reconhecida como vaisnava, mesmo tendo nascida em famílias de comedores de cães. Então vemos que a diferença entre karma e bhakti é dada de acordo com o desejo e não pela prática em si. Muitas vezes as práticas dos karmis ou smartas brahmanas são a mesma que dos bhakti-yoguis, porém se alguém tem outro desejo além do de servir Krishna isso é chamado de karma e não bhakti. Como Sri Rupa Goswamipad diz: “Anyabhilasita sunyan ... jnana karmadi anavrtam ....” Tal desejo em servir e a fé que é manifestada nas seis formas de saranagati é o que diferencia  bhakti-yoga de karma-yoga. Rendição total a Deus, sem qualquer desejo por desfrutes e coisas temporárias fúteis, a isto dá-se o nome de sraddham fé, o primeiro estágio de bhakti-yoga – (kanistha-kanistha). Sem esta primeira qualificação, tudo que fazemos é apenas karma.



Baladeva das brahmachari
 



 

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