De onde vêm nossos problemas? Como praticar bhakti da maneira correta?



Devemos compreender profundamente a lei do karma- o resultado das nossas ações prévias, nesta vida e em vidas passadas. No Gita Krishna diz a Arjuna que compreender e realizar isto não é uma tarefa fácil. Ao mesmo tempo não devemos dar muita importância á isto, pois a prática de bhakti yoga independe de qualquer situação externa ou kármica, bhakti é transcendental se praticada da maneira correta, com rendição e dedicação á Sri Guru Gouranga. Então como harmonizar estas duas coisas? Isto foi dito em um dos principais versos do Bhagavat “tatenukampam susamiksamanum bhunjana evatma krtam vipakam hrd vag vapubhih vidadham namaste jiveta yo mukti pade as daya bhak”- “Apenas aquele que compreende profundamente que os problemas que vem até ele são frutos de suas próprias más ações passadas, que por isso não se perturba por tais condições do ambiente externo e assim com firme fé e determinação usa seu corpo, mente, alma e sentidos a serviço de Bhagavan, receberá a misericórdia do Senhor Supremo na forma de bhakti- amor puro por Deus”.
Este verso foi eleito pelos Vaishnavas como sendo um dos mais importantes de todo Srimad Bhagavat. Não é muito fácil aceitar o fato de que ninguém é culpado pelas condições aparentemente desfavoráveis no nosso ambiente, e que eles são apenas instrumentos para que possamos purificar das nossas más atividades prévias. Isto é um fato. A prova disto é que um perito na ciência dos astros e matemática pode facilmente identificar o destino da cada pessoa, seja através da quirologia ou da astrologia. Isto já está estabelecido até mesmo antes do nascimento que nada mais é do que a continuação das atividades de uma mesma alma que de acordo com o karma prévio recebe este ou aquele corpo e desfrutará e sofrerá de acordo com as ações de outras vidas, isto é científico, até mesmo o espiritismo dá esta conclusão. Aceitar isto é fundamental para que um praticante de bhakti yoga possa progredir em sua vida espiritual e conseguir a misericórdia de Sri Krishna como dito no Bhagavat. Não devemos também nos preocupar nem focar nossa energia no karma, no ambiente ou em nenhuma condição externa pois elas virão sem nem mesmo ser chamada. Por isto também os Vaishnavas tem nos aconselhado a não desperdiçarmos nossa energia em afazeres mundanos, pois não podemos mudar nosso destino sobre o fruto do karma, eles virão em acordância com atos prévios, então porque gastar tanto tempo trabalhando como asnos? Não é inteligente! Gurudev costuma dizer que Krishna mantém e suporta o mundo todo, porque ele não manteria seu devoto? Com certeza ele manterá como manteu Srivas Pandit, Sudama Vipra e tantos outros. As escrituras então nos diz que devemos ter atividades mundanas apenas para manter nosso corpo (para praticar bhakti), de forma simples e focar toda nossa energia e tempo na vida espiritual, no alimento da alma. As condições materiais não podem ser mudadas mesmo que tentamos uma vez e outra, porém a condição espiritual pode ser facilmente desenvolvida se ocupamos nossa mente, sentidos e alma no serviço á Deus. Isto é tão poderoso que em um estágio superior até mesmo o fruto do karma será completamente queimado a cinzas e apenas prema (amor puro por Deus) fluirá no coração. Srila Gurudev também nos diz que não devemos nos preocupar com as impurezas internas, situada nos nossos corações. Bhakti yoga por si só limpa tais coisas. Sri Krishna cuidará também disto. Apenas Ele pode mudar tudo dentro e fora de nós. Então o princípio da vida espiritual é dedicar o máximo do nosso tempo, energia, mente e alma a serviço de Deus e Seus devotos puros (na forma de seguir suas instruções) sem desperdiçar muito em afazeres materiais e aceitando qualquer condição que o ambiente externo nos impõe considerando ser o fruto das nossas próprias ações prévias. Assim certamente o Senhor Supremo Sri Krishna cuidará de nós, nos concederá suas eternas benção e o amor divino fluirá em nossos corações como intermináveis ondas no oceano. Estas são as instruções das escrituras sobre o tema. Jay Sri Sri Guru Gouranga Radha Govinda-dev!!!

baldev das

Utilize every moment to attain True Well Being by Srila Prabhupad Saraswati Thakur

Sri Bhagavan has said: “A truly intelligent person should shun evil company but seek the association of holy saints who, with their instructions, gnaw away the knot of our mind’s worldly attachments” (Srimad-Bhagavatam 11.26.26). This means that for our true well-being we should always accept the guidance of the true guru and not be misled by pseudo gurus. The guru never accepts preya-pantha, the path to pleasure, for he is a follower of sreya-pantha, the path to true well-being. And he instructs his disciples and others to walk along this real path as his own true guru instructed him.

If a disciple asks the guru for permission to drink alcohol, the guru is sure to disapprove and never grant it. When the guru does not indulge the disciple in his prayer for the cravings of his mind, he might dismiss the guru. Such disciples accept only those gurus who are ready to supply fuel to their desire to indulge in sense enjoyment. These days, accepting a guru has become a fashion meant not for the disciple’s true well-being, but for getting one’s sensual pleasures approved of. Like selecting a barber or washer-man, such appointments only satisfy social or family customs.

As soon as Truth is ascertained, it should be ardently put into practice then and there. Since the span of our life is very short, we should not misspend even a moment of what still remains of it in attending to worldly affairs. Rather, we should utilize it to perform our service to Sri Hari. King Khatwanga attained his highest good by engaging in Lord Hari’s service for but one muhurta (forty-eight minutes) and Ajamila by serving Him just at the time of death. The following anecdote illustrates this point:

Sivananda Bhattacharya – by faith a Sakta, or worshipper of goddess Kali, or Durga – sent his son Rama-krsna to purchase some sacrificial animals like goats and buffalos and other necessary articles for the upcoming festival of Durga-puja. When Rama-krsna was returning home after purchasing them, he met Srila Narottama Thakura, a holy saint of the highest order. After Srila Narottama Thakura talked with the youth instructively, the youth’s mind was changed altogether. He let the animals go in order to obtain initiation from the Thakura, and went home empty-handed.

Sivananda was waiting expectantly for his son to return with the goats, buffalos and other articles for Devi-worship. Seeing that he returned without them, he anxiously asked about them. Sri Rama-krsna replied that he had been blessed to have gotten the grace of the illustrious Vaisnava, Srila Narottama. Upon hearing this, his father flared up with excessive wrath and called him a disgrace to the family for accepting a guru who had not taken birth in a brahmana family.

Rama-krsna was fortunate enough that upon hearing the Truth from the mouth of the Thakura Mahasaya he was roused from the worldly mire and at once gave up the duties of this world as deplorable and insignificant in order to engage in the service of Hari.

Since we cannot rely on even the duration of a breath, for it may be our last, we should utilise even this moment for attaining our true well-being. For this end, we should not listen to anyone of this world who might give us contrary advice. In the Srimad Bhagavatam (5.5.18) Sri Rsabhadeva teaches us that “We are encompassed by death, and whoever does not deliver us from it cannot be obeyed as our well-wisher, even if he is a guru (like Sukracarya to Bali), a near relative (like Ravana to Vibhishana), a father (like Hiranyakasipu to Prahlada), a mother (like Kaikeyi to Bharata), a demigod (like Indra to Nanda), or a husband (like the yajnika-brahmanas whose wives were devoted to Sri Krsna). Such was the case with Sri Rama-krsna Bhattacharya, who wisely courted his father’s certain displeasure to secure his true well-being.

by Srila Bhaktisiddhanta Saraswati Thakura Prabhupada
Published in Rays of The Harmonist No. 19 Gaura-purnima 2009

A única resposta satisfatória - Sri Gurudev

Por um propósito maior


[Na Holanda em julho de 1997, um dos coordenadores do comitê contra abuso de crianças na ISKCON perguntou a Srila Bhaktivedanta Narayan Goswami Maharaj a seguinte questão.]

“Srila Swami Prabhupad é uma alma perfeita e realizada e conhece tudo. Então, como ele pôde permitir que todos estes tipos de abuso continuassem por tantos anos nos gurukulas da ISKCON durante sua própria presença física?”

Ele sabia de tudo

Srila B.V.Narayan Goswami: Este é um tópico profundo. Srila Swami Maharaj concedeu sanyassa a muitos dos seus discípulos e muito em breve quase todos caíram (abandonaram a ordem renunciada). Há uma dúvida sobre se ele sabia que eles cairiam ou não. Se ele era um sarva-jnan, conhecia todas as coisas, ele deveria saber disto naquele tempo. Como ele pôde conceder sanyassa a pessoas falsas que cairiam logo depois? Se ele fosse sarva-jnan, ele deveria primeiro saber das qualidades da pessoa e então lhe dar sanyassa. Você realiza este fato que ele era um shakti-avesh-avatar- emponderado por Deus para o propósito de pregação do serviço amoroso devocional ao Casal Divino as pessoas em geral?
Você terá que entender como ele é mugdhata (possui certo tipo de confusão espiritual e falta de conhecimento) e ao mesmo tempo sarva-jna (conhece tudo e todas as coisas). Se estas duas qualidades não estavam presentes, então ele não poderia ter ajudado as pessoas deste mundo. Por isto é que sua Nara-lila- passatempos como um ser humano comum está acontecendo. Existem estas duas substâncias na raiz de Nara-lila- mugdhata e sarva-jna.
Você sabe que Krishna é a Perfeita Suprema Personalidade de Deus? Não há dúvida sobre isto porque isto está escrito nas escrituras como Ramayana, Mahabharata, Vedas e Upanisads. Krishna é sem dúvida a Suprema Personalidade de Deus, e Ele é também sarva-jna. Porque então ele não pôde controlar Seu ambiente? Ele sabia que a guerra de Kuruskhetra aconteceria. Se Ele é sarva-jna ele saberia que a batalha do Mahabharata aconteceria. Ele teria alertado os Pandavas a não jogar. Porque ele não os alertou? Ele poderia ter pensado: “Devo dize aos Pandavas. Ó! Um grande problema virá com isto, então não jogue este jogo.” Ele sabia de tudo. Porém se Ele os avisasse, a batalha do Mahabharata não aconteceria, e o plano de Krishna não teria sido exitôso.
Através deste nara-lila, Ele jogou muitos jogos, e Ele fez muitas e muitas coisas boas para este mundo. O Bhagavad Gita se tornou eternamente manifesto. Ele também deu uma lição a todos para não jogarem dados (jogo de azar). Krishna sabia que por causa deste jogo de dados haveria uma tentativa de despir Draupadi. Porque ele permitiu isto? Devemos considerar tudo isto.
As palavras de Krishna sempre são verdadeiras
Krishna sabe o que é verdade e o que é falso. Asvatthama não havia morrido, então porque Krishna declarou que ele estava morto? Krishna pediu para Yudhistira Maharaj: “Você deve dizer que Asvatthama está morto”. Isto era verdade ou mentira? Apenas raros devotos podem saber que isto era verdade. Noventa e nove por cento das pessoas vão pensar que Krishna estava falando mentira, e tais pessoas não são qualificadas para realizar o que Krishna estava falando. Na verdade isto era verdade. Não apenas Asvatthama, mas todos estavam mortos. Krishna mostrou a Arjuna que todos estavam na boca da Sua forma universal, esmagados em Seus dentes e mortos. Bhisma Pitamah, o Grande Avô Bhismadev estava morto, e todos os outros estavam mortos. Krishna e Seus devotos podem fazer algo que consideramos como sendo impróprio, mas na verdade Suas atividades são sempre corretas e apropriadas. O que Krishna disse era verdade, e todas as outras coisas eram falsas. Yudhisthira Maharaj estava dizendo que Asvatthama- o elefante, estava morto e Krishna dizia: “Você deve dizer que Asvatthama- o guerreiro, está morto”.
O que Krishna falou era verdade. Era verdade porque Asvatthama realmente estava morto. Krishna fez isto desta maneira. Ele criou todo o universo e Ele criou Asvatthama. Ele já havia matados todos e parecia que todos estavam se matando entre si.
Você está morto ou vivo? Se você pensa: “Eu sou este corpo”, então você está morto. Porém, se você realizou que você é alma, então você não está morto. Todos estavam pensando deste jeito: “Eu sou este corpo e Asvatthama é o corpo, e ele está vivo”. Mas na verdade, eles mesmos e todos os outros já estavam mortos. Aqueles que estão vivos pensam: “Eu sou alma. Eu não nasço nem morro. Eu não me lamento e não tenho nenhum problema”.
Uma pessoa usará um espinho para remover outro espinho que perfurou seu pé. E então ele irá dispensar ambos os espinhos. Você deve entender isto muito seriamente. Você deve saber que Krishna também fez isto. Similarmente, quando os devotos muito poderosos vêm, até mesmo se algumas pessoas não são qualificadas para certas posições, ainda sim ele lhes dá posições e através deles, ele prega em todos os lugares e faz muitas coisas. Depois disso, ele os ‘joga fora’, e apenas devotos permanecem. Você compreende o que estou dizendo? Há espinhos no nosso pé e também espinhos pelo qual removemos aqueles outros espinhos. Ambos são espinhos e nenhum deles é realmente devoto, mas o Guru terá que desempenhar um papel com eles para poder pregar em todos os lugares. Krishna e Srila Swami Maharaj foram exitosos nisto. Se aqueles que participaram do gurukula não são ofensivos, eles terão algumas boas impressões no coração ou através de sadhu sanga – associação com pessoas santas que estão sempre absortas em consciência de Krishna.
Vemos que em Dwaraka, Samba e outros estavam cometendo ofensas a Durvasa Muni, Narada Muni e outros santos que estavam reunidos em Pindaraka. Krishna sabia de tudo. Porque Ele não avisou todos os garotos a não serem ofensivos? Há algo que não podemos compreender em tudo isso. Similarmente, Srila Swami Maharaj conscientemente fez tudo isto para o benefício do mundo inteiro e todo universo. Ele deu misericórdia a todos.

Eles têm impressões eternas

Mesmo que alguns não compreedam isto, ainda sim ele os ajudará. Aqueles que participaram dos gurukulas, performaram más atividades em vidas passadas. Se eles não tivessem entrado em contato com Srila Swami Maharaj e ao invés de ir ao gurukula ele fossem para qualquer outra escola, a mesma reação kármica teria chegado até eles devido à suas atividades passadas. De fato, algo muito pior teria acontecido com eles. Também, eles não teriam a ótima oportunidade de ter associado com um devoto puro, de receber prasada de suas mãos, de receber tanta misericórdia dele, e de ter a chance de executar atividades devocionais logo depois.
Nunca devemos duvidar de Krishna. Durante Seus passatempos manifestos, Kamsa, Jarasandha e também Duryodhana juntamente com todo seu grupo, tinham muitas dúvidas sobre Krishna. Eles pensavam que Krishna era um mau caráter: “Ele divertia-se com as gopis. Até mesmo as gopis que são casadas vão se encontrar com Ele, dançando e cantando sozinhas na noite. Além disso Ele disse tantas mentiras para Sua mãe e aos outros”. Assim, estas pessoas demoníacas criticaram Krishna porque não tinham nenhuma devoção e então não puderam realizar a Verdade.
Assim como Duryodhana e outros não puderam compreender as atividades de Krishna, muitas pessoas não compreendem as atividades de Srila Swami Maharaj, que pregou por todo o mundo e distribuiu o santo nome. Ele estendeu a si mesmo para milhares de pessoas que eram viciadas e hippies. Devemos saber muito claramente que aqueles que não compreendem e procuram faltas em suas atividades não são devotos. Eles nunca foram devotos.

Considere a posição de Krishna e Seus Associados

Krishna pode levantar a colina de Govardhana e Ele pode colocar todo o universo na palma de suas mãos. Ele pode tomar veneno e Ele pode engolir fogo. Ele fez isto muitas vezes. Ele tomou bastante veneno quando estava em Kaliyadaha, e então Ele dançou com as gopis. Se você quer criticá-lo por dançar com as gopis, então você também deve ser capaz de engolir fogo. Primeiro você coloca fogo em sua boca e depois você toma veneno. Depois disso você deve levantar a colina de Govardhana. Se você fizer tudo isto, então você pode divertir com qualquer garota e eu direi que não há nenhum problema.
Considerando todos estes pontos, podemos compreender que Srila Swami Maharaj não fez nada impróprio. Ele era sarva-jna, e ele quis fazer o bem á todos. Não foi falha de Srila Swami Maharaj e sim falta do próprio karma deles cometidos em vidas passadas e também na presente. Devemos entender isto.

Não imite

Podemos aprender uma lição disto. Podemos pensar: “Srila Swami Maharaj fez isto e eu também farei o mesmo”. Primeiro, seja como o Senhor Shiva, e então tome veneno. De outra forma, se você não é o Senhor Shiva e ainda sim você toma veneno, você morrerá rapidamente sem mais tardar. Não pense que você pode imitar Srila Swami Maharaj. Tome bastante cuidado. Não tome todo este peso sobre vocês. Estas coisas são para devotos puros, Acharyas poderosos e para Krishna.
Eles já estão servindo e completamente absortos em Krishna
Hanuman pode servir o Senhor Rama vinte quatro horas por dia, e ele também é liberado. Mas Arjuna, Bhima, Nakula e Sahadev são superiores á Hanuman. Hanuman não pode tocar a poeira dos seus pés de lótus. Então Arjuna disse: “Apesar de ser a essência de todos os Upanisads, o que Krishna disse no campo de batalha conhecido como “Bhagavad Gita” é apenas ensinamentos de terceira classe.” Sri Chaitanya Mahaprabhu é o próprio Krishna e Ele disse que isto é externo. Gita é saranagati (rendição completa). Arjuna disse á Narad Muni: “O Mundo todo pensa que Krishna se tornou meu cocheiro, Ele obedeceu as minhas ordens e Ele também me deu ensinamentos únicos na forma do Bhagavad Gita. Ele deu estas mesmas instruções ao Deus do sol. Mas isto não é verdade”.
Arjuna continuou: “Porque ele se tornou meu cocheiro? Isto não foi para mim. Isto foi para o benefício do mundo todo. Foi para os semideuses e para a terra. A angustia da terra- Bhumi Devi tomou a forma de uma vaca e foi até o Senhor Brahma. Então juntamente com Brahma, ela foi até Kshirodakasayi Vishnu. Lá, Brahma entrou em transe. Na forma de Vishnu, Krishna concordou com seu pedido e disse: “Estou indo”.
“Ó Bharata! Sempre quando há um declínio da religião e aumento da irreligião, nesta hora eu manifesto minha forma eterna e perfeita neste mundo material” (Bg. 4.7)
“Isto não foi para mim. Krishna não veio para mim ou para minha família. Ele veio para estabelecer a verdade, yuga-dharma, e fazer tantas outras coisas. Não é verdade que ele foi meu cocheiro. Eu não estava querendo lutar. Ele então sentou em minha carruagem, me instruiu e me inspirou”.
As instruções do Gita foram dadas para o mundo todo. Aqui, Arjuna é o bezerro (como dito no Gita mahatmya- 6). Nós ordenhamos as vacas e tomamos seu leite. O leite não é para seus bezerros. Os bezerros tomam muito pouco do leite. Similarmente, Arjuna disse á Narada que o Bhagavad Gita não era apenas para ele.
Arjuna disse á Narad Muni: “Sou um querido amigo de Krishna. Ele concedeu estes ensinamentos para as pessoas de classe baixa, para aqueles que ainda não são devotos. Saranagati (completa rendição) é a porta de entrada de bhakti. Isto não é bhakti, mas a porta de entrada. Aqueles que seguirem saranagati entrarão na linha de bhakti e então prosseguirão para sraddha, nistha, ruchi, ashakti, bhav, prem e todos os outros estágios avançados de amor por Deus. Saranagati não é bhakti, ainda sim Krishna me disse: ‘Você deve me oferecer tudo- seu coração, mente, corpo e sentidos’. Isto é como upahasa- ridículo, para mim. Sakhas, amigos de Krishna, estão situados em um nível muito alto de devoção, mas este saranagati é externo. Se alguém deseja ser devoto, ele deve seguir saranagati. É como a porta de entrada pela qual alguém pode entrar em bhakti. Ainda sim, Krishna estava me ensinando saraganati”.
Arjuna perguntou á Narada: “Você pensa que eu não tenho saranagati; que eu não sou um associado eterno (Sakha) de Krishna?”
Narada respondeu: “Ó! Sim, você já passou de tudo isto. Você já está estabelecido em bhakti. Você não é um praticante comum e então nistha, ashakti, bhav e prema manifestou em você. Você é perfeito. Você não possui nenhum defeito, nenhum anartha, hábitos indesejáveis, nada disso. Além disso, sua bhakti não está misturada com jnana (conhecimento), karma (atividades fruitivas), yoga (meditação) e tapasya (austeridade). Você é um ekantika bhakta, possui devoção uni direcionada. As instruções de Krishna no Bhagavad Gita foram faladas para os praticantes comuns, não para aqueles que são perfeitos (siddhas)- associados eternos”.
Alguém pode vir e me dizer: “Você deve procurar um bom guru, servi-lo e oferecer tudo á ele. E você deve cantar pelo menos 16 voltas”. Isto é apropriado? Suponha que eu canto 100.000 santos nomes diariamente. Eu estou sempre absorto em bhakti, e centenas de milhares de pessoas são inspiradas por mim. Então alguém vem e diz: “Ó, se você não pode cantar 16 voltas, então você pode cantar 8 voltas diariamente e não tome vinho, ovo, peixe etc. E você não deve ter nenhuma namorada”.
Se alguém tenta me ensinar desta maneira, isto é apropriado? Eu direi a ela: “Ah, sim, sim, vou fazer isto. Vou seguir”.
Quando Krishna enviou Uddhav e depois Baladev Prabhu á Vraj, Ele os disse: “Vocês devem perguntar as gopis em meu nome: ‘Porque estão preocupadas? Eu estou em todos os lugares. Estou em seus corpos’”.
Um exemplo relevante é o do pote de barro. O pote não pode existir sem o barro. A própria construção do pote é completamente feito de barro; este barro permeia todo o pote. Se alguém retira o barro do pote, o pote ainda estará lá? Nunca.
Similarmente, Krishna diz: “Eu estou em seus sentidos, estou em todos os lugares com elas- fora, dentro, em cima, em baixo, aqui e acolá. Então diga ás gopis que Eu estou sempre com elas. Porque elas estão se lamentando? Elas devem lembrar-se de mim, cantar Meus Nomes e meditar em Mim”.
Ouvindo isto, as gopis disseram: “Oh, muito bem. Você é como o sol, dando tantas boas instruções á nós. Mas devido á estas instruções nós agora estamos sentindo tanto calor (daquele sol) que estamos queimando com suas instruções. Não podemos seguir sua instrução porque somos muito caídas. Por favor, dê estas instruções aos Rshis (sábios) e Maharshis (grandes sábios). Somos muito caídas. Não podemos lembrar ou meditar. Por isto é que você está misericordiosamente nos dizendo para meditar. Também sabemos que se alguém mantém Seus pés de lótus dentro do coração, todas as misérias se vão e ele se tornará puro. Mas nós não somos assim. Somos muito caídas. Talvez seja por isso que você está nos ensinando a meditar, cantar e lembrar – porque nunca fizemos isto”.
As gopis não podem se esquecer de Krishna nem mesmo por um só instante
As gopis continuaram falando á Krishna: “Na verdade você deve saber que queremos esquecê-lo, mas não conseguimos. Queremos nos esquecer de Você porque você se esqueceu de nós. Não queremos pensar: ‘Onde está Krishna? Oh, agora Ele estará nas margens do Yamuna’. Mesmo pensando que você não está lá, ainda sim não podemos parar nossos pés, eles mesmo assim vão ate lá”.
“Nossas mentes sempre se lembram de Você. Apesar dos yogis fazerem tanto esfôrço para lembrar-se de Você, tantas coisas mundanas aparecem em suas mentes e corações. Nós por outro lado, queremos esquecer Você, mas não conseguimos. Estávamos com Você desde a infância. Então porfavor seja misericordioso conosco”.
“As mentes das pessoas mundanas são diferentes dos seus corações, mas nossas mentes e corações são iguais”.
Agora nossas mentes são proeminentes, e nossos corações são outra coisa. Mas as gopis estão dizendo: “Nossas mentes e corações são iguais, não há diferença entre eles”.
Qual o signifcado? Nosso coração não é Vrindavan, mas as gopis estão dizendo que seus corações são Vrindavan e suas mentes e seus corações são iguais. Em nosso corpo, a mente é proeminente. Nós pensamos: “Oh, isto é bom, isto é ruim, isto é assim, isto é assado”. Porque temos muitas dúvidas e anarthas, nós segumos a mente. Mas bhakti não está na mente, está no coração. Krishna diz que devemos dar nosso coração. Bhakti vive no coração e este coração não decide: “Isto é ruim” ou “Krishna é ruim” ou “Krishna é melhor”. Ele só pode ser atraído por serviço devocional. O coração não tem nada a fazer. Ele será entregue imediatamente e nunca pegar nada em troca. Esta é atividade do coração.
As gopis disseram: “Nossos corações são Vrindavan. Você deve vir em nossos corações como você faz com os yogis, mas nossos corações são como Vrindavan. Se você vem para Vrindavan, então Você estará vindo aos nossos corações. Então porfavor faça isto. Não queremos nos lembrar de Você, então porque Você vem? Porque Você sempre vem? Nós queremos esquecer Você (ao contrário dos yogis), mas não conseguimos”.
Para quem são os ensinamentos dados por Krishna? Eles são para a alma condicionada situada em um nível muito inferior. Primeiro deve-se escutar, então deve-se cantar e depois lembrar os doces passatempos de Krishna. Mas as gopis estão bem acima disso. Elas passaram por todos estes estágios; sneha, mana, pranaya, raga, anuraga, bhav, mahabhav. Mas Krishna está ensinando as gopis alguma outra coisa.
Então elas dizem: “Oh, você quer nos enganar. Você deve estar brincando conosco. Esta instrução na verdade não é para nós. Você deve ensinar isto á Duryodhana, Kamsa e outros como eles, não para nós”.
Devemos realizar todas estas coisas. Este é nosso objetivo final. Até mesmo se eu explico isto por muitas horas, você não será capaz de compreender muito. Você terá que chegar até um certo nível para compreender. Krishna diz a sua mãe: “Mãe, eu não comí terra ou barro”, e ele pediu a Yudhisthira Maharaj que declarasse que Asvattama estava morto. Yudhisthira Maharaj considerou que Asvattama não estava morto e então pensou: “Porque devo falar mentira?”. Por outro lado, Arjuna logo aceitou. Neste caso, Arjuna é superior.
Então, devemos considerar tudo isto. Não olhe aqui e acolá para ver qual tolice os outros estão fazendo. Não involva sua mente nestas coisas. Sempre concentre sua mente e seja unidirecionado a Krishna, do contrário você será enganado. Tente pegar o caminho dado pelo Srimad Bhagavatam. Primeiro obedeça o Bhagavad Gita. Não somos este corpo, você deve realmente realizar isto, e então:
Sarva dharman parityaja
Mam ekam saranam vraja
Aham tvam sarva-papebhyo
Moksayisyami ma sucah
(Bg.18.66)
“Abandonando completamente todo dharma mental e corpóreo, renda-te apenas a Mim. Eu vou liberar você de todas as reações dos seus pecados. Não se lamente”.
Vocês devem se render a Krishna e então tentar entrar no domínio de bhakti. Depois siga o Srimad Bhagavatam. Siga os ensinamentos dos primeiros nove cantos e se você for qualificado, gradualmente tente adentrar no décimo canto. Por um lado não devemos tentar pular estágios, mas também devemos ver que há alguma vontade de saber todas estas coisas. Se há vontade e fé firme, então você é qualificado para o domínio de bhakti e escutar o décimo canto do Srimad Bhagavatam e todos os outros livros.
Tente desenvolver consciência de Krishna. Tente ler os livros de Srila Swami Maharaj; são livros autênticos. E você também pode ler meus livros. Meus livros na verdade não são meus. Eles são de Srila Rupa Goswami, Srila Sanatan Goswami e Srila Raghunath das Goswami, como o Manah Siksha, Sri Upadesamrta, Sri Sikshastaka e outros. Gradualmente, tente progredir.

(Do livro “Rays of hope”)


[O devoto da ISKCON que fez a pergunta disse após a aula que: “Agora finalmente eu sinto que tenho algo concreto para dizer para aquelas crianças. Agora sinto que posso ajudá-las”]

Lançamento do livro "Bhakti tattva".





Prefácio

   Primeiramente ofereço minhas mais respeitosas reverências ao meu Mestre Divino Om Vishnupad Paramahamsa Parivrajakacharya-varya Astottarasata Sri Srimad Bhaktivedanta Narayan Goswami Maharaj que é também o autor de grande parte dos escritos aqui apresentados, e igualmente ao meu Siksha Gurudev Om Vishnupad Paramahamsa Parivrajakacharya Astottarasata Sri Srimad Bhakti Ballabh Tirtha Goswami Maharaj. Pela graça destes dois Vaishnavas este livro chamado “Bhakti tattva” é apresentado agora pela primeira vez em língua portuguesa.
   Queridos leitores, por vezes somos confudidos pela energia externa de Deus (maya) na forma de idéias errôneas acerca da devoção pura, propagadas por aqueles que se vestem de Vaishnavas (ou de religiosos e espiritualistas), mas que mantém uma atitude contrária do que é dito nas escrituras sagradas (Sastras). Somos aconselhados então á não aceitar de forma cega ou fanática todo e qualquer ensinamento sem antes analizarmos profundamente os tópicos em pauta e o comportamento daqueles que os propagam. Do contrário corremos o risco de sermos confudidos pela forma externa assim como Ravana foi confundido pela ilusória- produto de maya, Sita-devi.
   Apesar do fato de que estes escritos possivelmente possam ser apreciados apenas por um grupo bastante reduzido de devotos, ainda sim há uma grande necessidade de primeiramente saber ao certo qual é o nosso objetivo para aí sim começar o processo no qual o objetivo pode ser alcançado. O objetivo é chamado de sadhya e deve ser determinado e fixado antes mesmo de se começar o sadhana (prática espiritual). É igualmente essencial que se estabeleça uma relação (sambandha-jnana) entre o praticante e o objeto fixo de adoração (deidade adorável) e partindo deste princípio pode-se progredir gradualmente através de sadhana, bhava e prema bhakti, o qual pode ser exitôso apenas pela misericórdia sem causa de Sri Guru e Sri Gouranga. Escutamos dos lábios de lótus dos Vaishnavas que é apenas através da graça de Sri Gurudev e Sri Chaitanya Mahaprabhu, que poderemos um dia servir os pés de lótus do Jovial Casal Divino Sri Sri Radha Krishna.
Esperamos que estes “raios de esperança” ajude os sinceros aspirantes pela devoção pura a compreenderem nosso objetivo e o processo prático da missão Gaudiya Vaishnava como foi inaugurada e propagada por Sri Chaitanya Mahaprabhu, Srila Rupa Goswami e os demais Rupanugas Guru Varga- os fiéis seguidores de Srila Rupa Goswami. Gour Hari Bol!   (110 páginas).

O Propósito do advento de Sriman Mahaprabhu.

O propósito do advento do Senhor Chaitanya-  Srila Bhaktivedanta Narayan Goswami Maharaj

                         Srila Krishna Das Kaviraj nos disse que Sri Chaitanya Mahaprabhu é o próprio Krishna, Swayam Bhagavan. Ele não é apenas Swayam Bhagavan Vrajendra Nandana Sri Krishna, mas está também dotado com os sentimentos e cor da Sua potência interna que é personificada em Srimati Radhika. Mesmo que pudéssemos separar o sol do seu calor ou luz, é impossível separar Sri Radha de Sri Krishna. Krishna viveu dez anos em Vrindavan. Nasceu em Gokul Mahavana, onde brincou em sua infância. Então Sua família assim como a família de Radhika mudou-se para Vrindavan e ali saborearam ilimitados passatempos (lilas). A família de Nanda Baba estabeleceu-se em um lugar chamado Chatikara e a de Vrishabhanu Maharaj no lugar chamado Rala. Depois se mudaram para Kamyavana e então á Khelanvana. Por último se estabeleceram em Nandagaon e Varshana respectivamente. Em cada um destes lugares eles criaram uma nova vila de tal maneira que Suas famílias estavam sempre unidas e felizes. Radha e Krishna se reuniam nestes lugares e performavam Seu passatempo eterno supremo de rasa-lila além de tantos outros. Quando Krishna vem á este mundo, toda Vraja vem com ele; Seus associados eternos, o rio Yamuna, a colina de Govardhan, o bosque de Bhandiravana e as oitenta e quatro kroshas de Vrindavan. Ele advém uma vez a cada dia de Brahma para saborear as cinco rasas em Seus passatempos- santa, dasya, sakhya, vatsalya e madhurya. Mesmo desfrutando de todas estas rasas, ainda sim ele tinha três desejos que ainda não havia satisfeito. O motivo principal da sua aparição como Sri Chaitanya-dev foi satisfazer estes desejos. Além disso, por ser um oceano de misericória imotivada e um oceano de rasa, Ele desejou derramar algumas gotas de misericórdia especial sobre as jivas para que elas pudessem ir até Ele e servi-lo eternamente. Enquanto Sri Krishna pensava na maneira de satisfazer Seus desejos, Kali Yuga (a era atual de hipocrisia e desavenças) já estava em andamento na terra e o momento de pregar a religião da era (yuga-dharma) se aproximava. Com objetivo de preparar a plataforma para o advento de Krishna e Seus associados, Adwaita Acharya (que veio antes) também desejava conceder o amor por Deus ás jivas deste mundo, porém não pôde fazê-lo. Esta não é uma função para Maha Vishnu, nem tampouco de Rama, Nrsimha, Kalki, Vamana ou Parashurama. Todos estes avataras podiam estabelecer o yuga dharma, mas não podiam dar prema bhakti (amor puro especial em doçura absoluta) á todas as jivas incluindo as plantas e animais como Swayam Bhagavan Vrajendra-Nandana Sri Krishna podia. Baladev Prabhu pode dar este prema especial, mas não o faz. Ele o reserva para Krishna e ele simplesmente O ajuda. Nos passatempos de Sri Chaitanya-dev. Ele deixa isto para Sri Chaitanya-dev e Seus associados como Swarupa Damodar, Ray Ramananda, Rupa Goswami, Raghunath Goswami, sanatan Goswami e outros como eles. Nityananda distribui o prema comum ás pessoas em geral. Portanto, existem quatro razões para o aparecimento de Sri Chaitanya-dev, dois internos e dois externos. As razões externas são; 1- estabelecer o yuga-dharma e 2- satisfazer Adwaita Acharya, que orou a Krishna oferendo folhas de Tulsi para que Ele descendesse. Com seu amor devocional, Adwaita Acharya induziu Sri Krishna a vir neste mundo. Se um devoto pega uma manjari (flor de Tulsi) rodeada com duas folhas de Tulsi e as oferece a Krishna com lágrimas nos olhos e orando a Ele, Krishna não será capaz de recusar a oferenda. Ele terá que deixar Golok Vrindavan e ir até você. Para inspirar Krishna para que nos veja, também devemos adorar Tulsi todos os dias assim como Adwaita Acharya fez. Através desta prática, Sri Chaitanya Mahaprabhu, Sri Nityananda Prabhu e todos os Seus associados, entrarão em nosso coração. Mahaprabhu Sri Chaitanya-dev é o próprio Krishna e Nityananda é Baladev Prabhu. Através do sankirtan (canto congrecional dos santos nomes), que é o yuga dharma, Sri Chaitanya-dev outorgou prema a todas as entidades vivas. Krishna não poderia fazer com que até mesmo os habitantes da floresta como as serpentes, elefantes e tigres se sentissem inspirados, cantassem e dançassem junto com Mahaprabhu enquanto Ele cantava: Krsna krsna krsna krsna krsna krsna krsna he Krsna krsna krsna krsna krsna krsna raksa mam Krsna krsna krsna krsna krsna krsna pahi mam Rama raghava rama raghava rama raghava raksa mam Krsna keshava krsna kesava krsna kesava pahi MAM Em transe, Sriman Mahaprabhu chorava e às vezes rolava no solo. Entorpecidos com Seu amor, os animais, as plantas e as árvores cantavam junto com Ele. Sriman Mahaprabhu distribuiu livremente este extraordinário prema o qual não havia sido dado até mesmo para Brahma, Shankara, Uddhava e Narada. Ele transformou as serpentes em serpentes de Vraja, as vacas em vacas de Vraja. Após receber Sua misericórdia, todos eles desenvolveram intensa afeição por Krishna. Enquanto Krishna concede amor puro por Ele mesmo de acordo com a rendição de cada pessoa, Mahaprabhu Sri Chaitanya-dev e Nityananda Prabhu são tão misericordiosos que todos aqueles que se dirigem á Eles, recebem Sua misericórdia sem causa. Eles não consideram quem é qualificado ou não, Eles dizem: “Não se preocupem, lhes darei a qualificação e então o néctar de krsna-prem.” Sri Chaitanya-dev concedeu prema a muitas e muitas pessoas, mas esta é apenas uma razão secundária do seu aparecimento. O principal motivo do advento de Krishna como Sri Chaitanya Mahaprabhu foi saborear os três sentimentos de Srimati Radhika que apenas Ela podia saborerar. Por isto, ele pegou emprestado Seus (de Radhika) sentimentos internos e Sua beleza e assim se tornou tadatma com Ela. Assim, Krishna (Chaitanya) até mesmo se esqueceu de que era o próprio Krishna. Quando Sri Chaitanya-dev encontrou com Ray Ramananda em Godavari, aprendeu com ele o rasa-tattva. Ray Ramananda é Vishaka e Chaitanya-dev é Krishna. Krishna na forma de Sri Chaitanya-dev, converteu Srimati Vishaka-devi á posição de Seu Guru para que ele o ajudasse a desenvolver os sentimentos e a beleza de Sri Radha. Depois disso, Krishna como Chaitanya-dev se tornou rasaraj-mahabhav-swarup. Se ele não tivesse aceitado Vishaka como Seu Guru, isto não seria possível. Assim, ao encontrar com Ray Ramananda, Sri Chaitanya-dev saboreou estes três sentimentos em Gambhira- Jagannath Puri. Portanto, ele se sente muito grato á Vishaka e á Lalita. Sem esta ajuda, Krishna não poderia sabrear os três sentimentos de Radhika. Sendo o próprio Krishna, porém mais misericordioso Sri Chaitanya-dev pode distribuir vraj-prem, principalmente parakiya-bhav- o amor transcendental entre amante e amado. Este amor é chamado de unnatojjwala-rasa. Unnata significa ‘o mais elevado’ e ujjwala significa ‘com um brilho resplandescente’. Rasa significa doçura de uma relação específica com Krishna. O resplendor de unnatojjwala-rasa é imcomparável. Todos os nossos mestres da linha Gaudiya (seguidores de Gaura- Chaitanya-dev) vieram a este mundo para ensinar isto. Eles não vieram para saborear o mesmo prem que Chaitanya-dev saboreou e sim para distribuir a mesma rasa que ele veio distribuir. A distribuição de unnatojjwala-rasa é a primeira razão do aparecimento de Chaitanya-dev, porém não é a principal. O primeiro motivo interno foi saborear os sentimentos de Radha e o segundo foi distribuir o serviço a este sentimento. Ele queria distribuir este prema ás jivas, prema este que é dificilmente alcançável até mesmo para Brahma, Shiva e Narad. Tão gloriosa é a missão de Sri Chaitanya Mahaprabhu. Da mesma maneira, nossos Acharyas como Rupa Goswamipad, Sanatan Goswamipad, Jiva Goswamipad, Krsna das Kaviraj, Viswanath Chakravarti Thakur, Shyamananda Prabhu, Narottama Thakur, Srinivas acharya, Bhaktivinod Thakur, Baladev Vidyabhusan, Srila Prabhupad Bhaktissidhanta Saraswati Thakur, Srila Bhakti Praghyan Keshav Goswami Maharaj e Srila Bhaktivedanta Swami Maharaj (Prabhupad), não vieram a este mundo apenas para pregar as glórias do canto do santo nome. Os associados de Maha-Vishnu também podem fazer isto. Tente compreender este ponto. As expansões ou manifestações de Maha-Vishnu como Adwaita Acharya, podem pregar e distribuir o santo nome, porém eles não podem pregar o prema de Vraj. Há uma grande diferença entre o nama-sankirtan da presente Kali-yuga para todas as outras Kali-yugas. Esta é uma especialidade apenas de Sri Chaitanya Mahaprabhu, Seus seguidores e Seus associados. As manifestações de Maha-Vishnu como Adwaita Acharya e os associados como Sanaka, Sanandana, Sanatana, Sanat Kumar, Vishwakshena e todos os associados de Vishnu, podem performar e estabelecer o nama-sankirtan e o yuga-dharma, mas o nama-sankirtan deles não dará krsna-prem, vraj-prem. O nama-sankirtan de Chaitanya-dev e Seus associados têm uma potência especial para conceder isto. O unnatoujjwala-rasa é o sentimento especial de Srimati Radhika. Este sentimento pode ser saboreado por Krishna como Chaitanya-dev, mas não pode ser distribuído. Qual tipo de sentimento Sri Chaitanya Mahaprabhu deu então? Devemos saber que há dois tipos de unnatoujjwala-rasa:1- Kamatmika (o que Ele saboreou) e 2- tat-tad-bhavecchatmika (o que Ele distribuiu). Kamatmika é o sentimento de Radhika, Lalita, Vishaka e das outras gopis principais que são como elas. Srimati Radhika possui cinco grupos de sakhis (gopis amigas): sakhis, nitya-sakhis, prana-sakhis, priya-sakhis e priya-narma-sakhis. 1- Sakhis- estas sakhis amam e servem Srimati Radhika e Krishna, mas estão ligeiramente inclinadas a Krishna. Entre estas sakhis, está Dhanistha. 2- Nitya-sakhis e 3- Prana-sakhis- São as únicas classes de sakhis que se encontram na categoria de tat-tad-bhavecchatmika. Chaitanya Mahaprabhu veio conceder este tipo de serviço para as jivas. Estas sakhis servem Sri Sri Radha Krishna com uma tendência natural a favorecer e servir Srimati Radhika. Elas obedecem apenas Radhika e por estar mais intimamente conectadas a Ela, as prana-sakhis como Rupa Manjari e Rati Manjari são as líderes naturais das nitya-sakhis. 4- Priya sakhis e 5- Priya-narma-sakhis- entre elas estão Lalita e Vishaka. Entre as sakhis, as priya-narma-sakhis e as priya-sakhis são muito queridas e ambas servem o Casal Divino Jugala Kishora (Radha Krishna), mas com uma ligeira inclinação a Srimati Radhika. Estas sakhis são tão poderosas que às vezes chegam até mesmo a repreender Radha e também Krishna. A diferença entre as sakhis nitya e prana, e as sakhis priya e priya-narma é que as nitya-sakhis e as prana-sakhis são as manjaris. Elas não desejam saborear nada por elas mesmas. Elas não fazem nada para ter uma relação pessoal com Krishna, mas fazem tudo por Srimati Radhika. É este bhav (sentimento) que é denominado de tat-tad-bhavecchatmika e está também incluso em unnatoujjwala-rasa que Sri Chaitanya-dev veio distribuir. Este é um tema muito elevado e estou falando para um grupo de pessoas muito reduzido. Alguém pode perguntar: “Então porque você fala todas estas coisas?”. Srila Kaviraj Goswami explica que antes de começar a prática- sadhana, primeiro devemos saber claramente qual é o nosso objetivo. Se alguém quer dinheiro, por exemplo, ele irá servir o estado, ou procurar um trabalho ou começar um negócio. E se não quiser trabalhar, pode ser que comece a roubar, sozinho ou se unindo a algum grupo organizado usando algum tipo de arma, como fazem os asuras (demônios). Krishna atacou a força o reino de Bhismaka, onde centenas de reis e seus soldados protegiam a princesa Rukmini. Como um leão adentrando no meio de uma manada de chacais, Krishna colocou Rukmini na Sua carruagem e a levou imediatamente a Dwaraka. Ali, Ele se casou com ela. Se um mendigo tem o objetivo claro de ganhar dinheiro e não o consegue pedindo esmolas, ele obterá isto custe o que custar. Um exemplo de desejo intenso de alcançar um objetivo é o do cão que espera por comida na porta de uma pastelaria e babando observa as pessoas que saem comendo doces e pastéis. Como não pode entrar no estabelecimento pois alguém protege a entrada com um pedaço de pau, o animal corre para lamber os sacos plásticos que as pessoas jogam fora e enquanto faz isto ele vigia para ver se nenhum outro cão aparece. Devemos fixar nosso objetivo na vida espiritual, e apenas quando fazemos isto, podemos decidir a maneira de como alcançá-lo. A prática é chamada de sadhana e o objetivo de sadhya. Sem o sadhya não se pode determinar o sadhana. Por isto, Srila Krsnadas Kaviraj Goswami escreveu primeiramente o sadhya, no primeiro verso do Sri Chaitanya Charitamrta (Adi 1.4), justo depois do mangalacharana. Se o objetivo de vocês é alcançar o que Chaitanya-dev veio dar- vraj-prem, unnatojjwala-bhav, então venham comigo até a escola de Srila Rupa Goswami. Leiam os livros dos Goswamis e aprendem a desenvolver o desejo por isto. Não há regras para obter esta cobiça espiritual, porém ela só virá se escutamos um Vaishnava genuíno e associamos com ele. Isto não virá somente meditando sobre as escrituras. Imaginem que um homen feio e vulgar vê a princesa Diaga de Gales e surge nele o desejo de se casar com ela. Ainda que a idéia seja absurda, é certo que para ter este tipo de anseio não é preciso ser rico nem possuir nenhuma atitude especial. A cobiça espiritual é adquirida por escutar os relatos sobre a beleza de Sri Krishna e sobre a afeição que as gopis sentem por Ele, assim como foi descrito por Rupa Goswami. O Srimad Bhagavatam explica que Sri Krishna é controlado pelas gopis e coloca sua cabeça nos pés de lótus de Radhika suplicando a ela que seja misericordiosa com Ele. Se alguém ouve um devoto puro falar sobre os temas tratados no Sri Chaitanya Charitamrta e sobre os livros de Rupa Goswami, pode ser que surja nele o desejo espiritual, seja ele capacitado ou não. Quando esta cobiça aparece no coração, a pessoa se torna apta para decidir os métodos através dos quais ela poderá alcançar seu objetivo. Estes métodos constituem o sadhana (práticas espirituais). Rapidamente esta pessoa alcança o estágio de ruchi (gosto) e então avança em seu objetivo. Aqueles que fazem sadhana-bhajana ao Senhor Krishna por temor de ir ao inferno tendem a praticar a devoção que é denominada de vaidhi-bhakti. Já a prática daqueles cujo anseio espiritual intenso foi despertado, é denominada de raganuga-bhakti. Há uma importante diferença entre os devotos ragatmika e os devotos raganuga. Aqueles que possuem raga (apego) e estão chegando ao nível de bhav são raganugas. Os devotos que ainda não alcançaram este estágio, porém estão desenvolvendo cobiça transcedental (raganuga-pravritti), com o tempo se qualificam para praticar raganuga bhakti. Estes devotos não praticam raganuga, porém estão se aproximando disto. Sri Chaitanya Mahaprabhu veio principalmente para dar este anseio. Para aqueles que já o possuem, Ele concede bhav e aqueles que já possuem bhav Ele concede prem. Qual tipo de prem? Não é os sentimentos de Radhika e sim o das manjaris. Tentem compreender isto. Ainda que poucos compreendam isto, esforçem para compreender. Dentro de dez ou vinte anos, ou em uma vida futura, vocês poderão compreender algo disto profundamente por associarem com Vaishnavas elevados. Eu também oro para receber a misericórdia de um raganuga-vaishnava. Este é meu único desejo. Não me importo em morrer. Prefiro morrer antes de beber água de outro lago sagrado que não seja do Keshi-ghat ou do Manasa-ganga. Irei somente ao ghat (local sagrado situado as margens de um rio ou lago) onde as gopis estão servindo Sri Sri Radha e Krishna. Agora explicarei o mula-sloka do Chaitanya Charitamrta. anarpita-carim cirat karunayavatirnah kalau samarpayitum unnatojjvala-rasam sva-bhakti-sriyam harih purata-sundara-dyuti-kadamba-sandipitah sada hrdaya-kandare sphuratu vah saci-nandanah (Cc. Adi 1.4) “Que o Senhor que é conhecido como o filho de Srimati Sachidevi (Sachinandana), Se manifeste no âmago mais íntimo dos seus corações. Resplandescendo como o brilho de uma montanha dourada, Ele descendeu na era de Kali devido a Sua imensa misericórdia imotivada para outorgar o que nenhuma outra encarnação jamais ofereceu; a doçura mais elevada do serviço devocional- a doçura do amor conjugal.” Este verso citado por Kaviraj Goswami no Chaitanya Charitamrta foi escrito por Srila Rupa Goswami em seu Vidagdha-Madhava. Sri Chaitanya-dev inspirou Srila Rupa Goswami em Prayag para que ele pudesse distribuir este unnatoujjwala-parakiya-bhav. Isto é algo extraordinário até mesmo se tratando de Golok Vrindavan, o que dizer para este mundo. Este prema é o nitya-dharma (ocupação ou religião eterna) não só das entidades vivas que possuem um corpo humano, mas de todas elas, seja lá qual corpo estão situadas. Se um homem que ama sua esposa percebe que ela está apaixonada por outro homem, ele irá se sentir muito mal. O mesmo acontecerá se uma mulher descobrir que seu esposo secretamente ama outra pessoa. Em ambos os casos, a vida do casal será afetada. A necessidade de amar e ser amado está presente não só nos seres humanos mas também nos animais, plantas e todos os outros seres vivos. Ninguém pode viver sem amor. O reflexo pervertido deste prema (amor puro) é o desejo de satisfazer o próprio corpo e isto é conhecido como luxúria. Como não é um sentimento puro, a luxúria sempre é a causa de sofrimento. Um homem não pode realmente satisfazer sua mulher e vice versa. Após um ou dois meses (ou anos), ou um ou dois dias, ele ou ela buscarão por outra pessoa. É devido à luxúria que estamos presos neste mundo material buscando satisfação em esposa, esposo, filhos, pais, amigos e outras coisas mundanas. Krishna então nos concede o fruto do apego e da luxúria material. Para serem felizes, tentem alcançar amor puro por Krishna. O amor material apenas busca pela satisfação dos próprios desejos materiais egoístas, enquanto que krishna-prem é justamente o oposto- nele não há nenhum vestígio de egoísmo. Sri Chaitanya Mahaprabhu descendeu a este mundo para distribuir aquilo que constitui a nossa eterna religião (swabhav-nitya-dharma). Não percam esta ótima oportunidade de praticar bhakti-yoga na associação de devotos puros que estão fora de toda política, hipocrisia, duplicidade ou diplomacia. Devemos entender que este prema é nosso swabhav-nitya-dharma e que se queremos ser felizes devemos obtê-lo. Não deixem que a luxúria pertubem suas vidas. Se estiverem casados, permaneçam assim, não há nada mal nisto. Tratem sua esposa como se ela fosse querida para Krishna e a sirva com respeito. Porém reservem seu verdadeiro amor e afeição para Krishna. Não seja apegado a nada neste mundo; seja ela pai, mãe, filho, esposo (a) etc. Este mundo é um lugar de treinamento. Tomem o treinamento, porém não se enredem nele, porque se não deverão ter que enfrentar vários e vários problemas. Cumpram seus deveres e mantenham suas esposas e seus filhos. A riquesa não é ruim se á utilizamos devidamente. Não pensem que família serve apenas para satisfazer sua luxúria (desejos). Pratiquem bhakti e façam com que este mundo seja como Vaikuntha. (Do livro “A tus pies”)

Bhakti tattva- Bhaktivinod Thakur

A intrísica natureza de bhakti Srila Bhaktivinod Thakur Respeitáveis Vaishnavas, nosso único objetivo é saborerar e propagar o néctar da devoção pura (suddha-bhakti) ao Senhor Hari. Assim sendo nosso maior dever é compreender a real natureza de suddha-bhakti. Este entendimento nos beneficiará de duas maneiras. Primeiro, compreender a verdadeira natureza da devoção pura irá dissipar nossa ignorância no que diz respeito á bhakti e assim fazer com que nossas vidas humanas se tornem exitósas por saborerar o néctar derivado do nosso engajamento em bhakti na sua mais pura forma. Segundo, isto nos permitirá que sejamos protegidos das poluídas e misturadas concepções que hoje em dia recebem o nome de devoção pura. Desafortunadamente, na sociedade de hoje, em nome da devoção pura (suddha-bhakti) vários tipos de devoção misturada como karma-misra (misturada com atividade fruitiva), jnana-misra (misturada com conhecimento especulativo) e yoga-misra (misturada com vários tipos de processos de yoga), assim como várias concepções poluídas e imaginárias, estão espalhando como germes de praga por todos os lugares. As pessoas em geral consideram estas concepções poluídas e misturadas como sendo bhakti, as respeitam como tal e assim permanecem deprivadas da devoção pura. Estas poluídas e misturadas concepções são nossos maiores inimigos. Alguns dizem que não há valor algum em bhakti, que Deus é apenas um sentimento imaginário, que o homen tem meramente criado a imagem de Deus de acordo com sua imaginação e que bhakti é justo como um estado doentil de consciência que não pode nos beneficiar de forma alguma. Este tipo de pessoa, apesar de se opôr a bhakti, não pode nos causar muito dano, pois podemos facilmente reconhecê-los e evitá-los. Mas aqueles que propagam que devoção á Deus é o mais elevado caminho e ainda sim se atuam contra os princípios de suddha-bhakti e também instruem outros contra os princípios de suddha-bhakti, podem ser especialmente prejudiciais á nós. Em nome de bhakti eles nos instruem contra os princípios da vida devocional e finalmente nos guia a um caminho totalmente oposto ao da devoção á Deus. Então, com grande esforço, nossos preceptores têm definido a intrísica natureza de bhakti e tem repetidamente nos advertido a mantêrmo-nos longe destas concepções poluídas e misturadas. Eles compilaram numerosas literaturas para estebelecer a swarupa de bhakti, e dentre eles o Bhakti-rasamrta-sindhu é o mais benéfico. Para definir as características gerais na devoção pura, Srila Rupa Goswami escreveu, (1.1.11): anyabhilasita-sunyam jnana-karmady anavrtam anukulyena krsnanu silanam bhaktir uttama “O cultivo de atividades que são executadas exclusivamente para o prazer de Sri Krishna, ou em outras palavras- o fluxo contínuo do serviço á Sri Krishna, feito através de todo o esforço do corpo, mente e palavras, e através de expressões de vários sentimentos (bhavas), que não é coberto por jnana (conhecimento visando liberação impessoal) e karma (atividades visando seus frutos) e que é desprovido de todos os desejos a não ser o de dar felicidade a Sri Krishna. Isto é chamado de uttama-bhakti- serviço devocional puro.” É necessário entedermos que o Senhor Supremo na sua forma de Bhagavan é o único objeto de bhakti. Ainda que a Verdade Absoluta é uma só, Ela se manifesta em três formas; Brahman, Paramatma e Bhagavan. Aqueles que tentam perceber a Verdade Absoluta através do cultivo de conhecimento (jnana), não podem realizar nada além do Brahman (a forma impessoal de Deus). Através deste esforço espiritual eles tentam cruzar a existência material através do método de negação das qualidades do mundo material (neti-neti). Assim eles imaginam o Brahman como sendo inconcebível, imanifesto, sem forma e imutável. Mas meramente imaginar a abscência de qualidades materiais não ás garante uma maior realização da Verdade Absoluta. Eles debatem com evidência nos srutis que enfatizam a abscência de qualidades materiais no Supremo, que a Verdade Absoluta está além do alcance da mente e palavras, e que Ela não possui ouvidos, braços, pernas ou outras partes do corpo. Estes argumentos têm algum lugar nas escrituras, mas eles podem ser estabelecidos analisando a afirmação de Adwaita Acharya encontrado no Sri Chaitanya Chadrodaya Nayaka (6.67) escrito por Kavi Karnapura: Ya ya sruti jalpati nirvisesam As savidhatte savisesam Eva Vicara-yoge sati hanta tasam Prayo baliyah savisesam Eva “Em todas as afirmações dos srutis onde o aspecto impessoal da Verdade Absoluta é indicado, justo na mesma afirmação o aspecto pessoal também é indicado. Se analizarmos cuidadosamente todas as afirmações dos srutis como um todo, podemos ver que o aspecto pessoal é mais enfatizado. Por exemplo, um sruti diz que a Verdade Absoluta não possui mãos, pernas, olhos, mas entende-se que ele faz de tudo, viaja á todos os lugares e vê tudo. A compreensão pura desta afirmação é que Ele não têm braços materiais, pernas, olhos e tudo mais como as almas condicionadas têm. Sua forma é transcendental, significa que é além dos vinte e quatro elementos da natureza material, ou seja, é puramente espiritual.” (Nota- A adoração (archan) de uma forma específica e pessoal de Deus (vigraha) que é adorada pelos bhaktas neste mundo, é completamente diferente da adoração á ídolos (idolatria) executada pelos “panchopasakas” (adoradores dos cinco principais semideuses) e pelos “mayavadis” (impersonalistas). A adoração executada pelos bhakti-yoguis que possuem fé resoluta que a deidade adorada é não diferente do próprio Deus (vigrahavatara) e que sua composição é sac-cit-ananda- completamente espiritual mesmo aparecendo neste mundo através de elementos materiais (como madeira ou metal), é chamada de archan-vigraha. Tal forma adorada existe eternamente no mundo espiritual, foi vista com os olhos da devoção por sábios auto-realizados e é também descrita nos textos védicos. Por outro lado, os adoradores dos cinco semideuses e os impersonalistas simplesmente imaginam alguma forma de Deus para sua concetração ou meditação em algum objeto (visto por eles como material) visando obter o fruto de suas atividades piedosas ou liberação impessoal. Há um oceano de diferença entre a adoração de Sri Murti deliberada pelo Gaudiya Vaishnavismo e da idolatria performada pelos materialistas e impersonalistas) O significado é que quando o conhecimento espiritual é adquirido através do processo de negação, a Verdade Absoluta que é transcendental á ilusória potência (maya) é realizada apenas parcialmente. Apesar dos aderentes ao caminho de jnana-yoga serem incapazes de perceber que a Personalidade de Deus (Deus em pessoa- com forma, qualidades, atributos etc.) está além da matéria grosseira, se eles encontram um personalista, um mestre espiritual Vaishnava auto-realizado, apenas então eles podem ser protegidos do impedimento (anartha) do impersonalismo. Deve-se observar que o jnana citado acima é diretamente oposto a bhakti como foi mencionado. Porém há dois tipos de jnana; 1- conhecimento espiritual que tem como objetivo a liberação impessoal (mukti- como descrito anteriormente) e 2- conhecimento sobre a relação mútua (sambandha) entre o Senhor Supremo, a entidade viva e a energia ilusória. Este segundo tipo de conhecimento se manifesta no coração da entidade viva (alma, eu interior, real ser) através do cultivo fiel de atividades devocionais e é favorável á bhakti. Suta Goswami diz no Srimad Bhagavatam (1.2.27): Vasudeva bhagavati Bhakti-yoga prayojitah Janayatu asu vairagyam Jnanam Ca yad ahaitukam “A bhakti yoga que é executada para a satisfação do Supremo Senhor Vasudev, traz consigo o desapego de todas as coisas que não estão relacionadas com Ele e faz nascer o conhecimento puro que é livre de qualquer desejo de liberação e é direcionado exclusivamente á Ele” Aqueles que aderem ao caminho do yoga, no fim chegam apenas á realização da Superalma Onipenetrante- Paramatma. Eles não podem obtêr a realização do Senhor Supremo na sua Absoluta e última manifestação. Paramatma, Isvara, o Vishnu pessoal etc, são os objetos de pesquisa no processo de yoga. Podemos encontrar alguns poucos atributos de bhakti neste processo, mas isto não é devoção pura. Geralmente, os princípios religiosos deste mundo são todos meramente processos de yoga que buscam a realização de Paramatma. Não podemos esperar que no final todos eles finalmente nos guiem ao caminho mais elevado (bhagavat-dharma), pois existem numerosos obstáculos no caminho da meditação, antes de se realizar a Verdade Absoluta. Além disso, após praticar yoga ou meditação por algum tempo pode-se imaginar que “Eu sou Brahman” e então existe a possibilidade máxima de cair na armadilha do primeiro tipo de jnana- conhecimento impessoal. Este processo de yoga- Paramatma-darsana, realização da Superalma, apesar de ser mais elevado do que o jnana impessoal, não é perfeito. Astanga yoga, hatha yoga, karma yoga e todos os outros tipos de práticas de yoga, estão incluídos neste processo. A conclusão filosófica é que a realização da Superalma não pode ser chamada de devoção pura (suddha ou uttama bhakti). Srila jiva Goswami diz que a função do Paramatma é mais relacionada com a função da potência externa do que com a potência interna de Bhagavan. Então este aspecto da Verdade Absoluta é naturalmente inferior á Suprema e Eterna Forma do aspecto Bhagavan. Assim sendo, uttama-bhakti é apenas a devoção que é executada através do favorável engajamento em atividades que dão prazer a Sri Krishna, que não são cobertas por karma, jnana, yoga etc, e que são desprovidas de qualquer outro desejo além do de satisfazer Sri Krishna. Isto é chamado de uttama-bhakti, devoção pura. Bhakti pura é a única maneira pela qual a entidade viva pode obter êxtase transcendental. A Verdade Absoluta que é realizada (compreendida) exclusivamente através do processo de bhakti é chamada de Bhagavan. Depois da criação do universo, Bhagavan entra nele (universo) através da Sua expansão parcial como Paramatma- Superalma. Novamente, em direta distinção do manifesto mundo material, Bhavan aparece como o Brahman impessoal. Assim, Bhagavan é o aspecto original de Deus e a Verdade Absoluta Suprema. Pela prática do cantar dos Seus santos nomes a pessoa pode realizar e ver a imcomparável beleza de Bhagavan com olhos transcendentais. Os processos de jnana e yoga são incapazes de nos aproximar de Bhagavan. (Nota: Apesar de ser Um “de acordo com tattva”, Bhagavan possui diversas formas pessoais e sentimentos internos “de acordo com rasa”, dentre as quais Sua forma como Sri Krishna em doçura transcendental inigualável (madhurya) é Suprema. Este assunto será mais detalhadamente tratado no próximo capítulo.) O processo de bhakti é praticado com o único objetivo de alcançar o estágio de bhav. Este desejo (alcançar bhav) é altamente remondável ao praticante e não está incluído na palavra abhilasita (desejos contrários á devoção pura). Qualquer outro desejo a parte deste deve ser rejeitado. (Exemplo: bhukti- desejo de gratificação dos sentidos e mukti- desejo por liberação). A busca por bhukti (exploração dos objetos sensoriais, desfrute mundano) força a entidade viva a se tornar subordinada aos seis inimigos liderados pela luxúria e pela ira. Para bandonar o desejo por bukti, a entidade viva não precisa rejeitar os objetos dos sentidos e ir viver na floresta. Meramente viver em uma floresta ou aceitar a vestimenta de renunciante (sanyassi) não livrará a pessoa do desejo por bhukti. Se bhakti residir no coração do devoto, então até mesmo se ele viver em meio aos objetos dos sentidos, ele será capaz de permanecer desapegado deles e será capaz de abandonar todo o desejo por bhukti. Srila Rupa Goswami diz que no começo do processo a entidade viva aceita os objetos dos sentidos com espírito de desapego apenas de acordo com sua necessidade, e com a consciência de que eles são relacionados com Krishna. Isto é chamado de yukta-vairagya. A renúncia daqueles que desejam liberação da matéria e rejeitam os objetos dos sentidos os considerando ilusórios é chamada de phalgu-vairagya- inútil. Não é possível para uma alma condicionada abandonar completamente os objetos dos sentidos, mas por mudar a tendência exploradora para com eles e mantendo o entendimento da relação deles com Krishna, verdadeira renúncia pode ser obtida. Isto não é chamado de gratificação dos sentidos. (A maneira como a pessoa atua, de forma desapegada e com a compreensão correta da relação dos objetos com Deus, é o ponto enfatizado aqui). Devemos tentar perceber este mundo de tal maneira que tudo apareça estar relacionado com Krishna. Devemos ver todas as entidades vivas como sendo servas eternas de Krishna, os jardins e rios como sendo prazeirosos lugares para as brincadeiras de Krishna, os alimentos para serem servidos como oferenda para Seu prazer etc. Quando um devoto desenvolve tal visão do mundo externo, ele não mais vê os objetos dos sentidos como estando separado do próprio Bhagavan, por outro lado, a tendência de desfrutar da felicidade obtida da gratificação sensorial intesifica o desejo por bhukti e finalmente desvia o praticante do caminho de bhakti. Por aceitar todos os objetos deste mundo como instrumentos para serem usados no serviço a Krishna, o desejo por bhukti é completamente erradicado do coração, permitindo assim que a devoção pura se manifeste. È imperativo abandonar o desejo por bhukti e mukti. (Do livro “Bhakti tattva Viveka”)

Popularity or bhakti??

Srila Bhaktisiddhanta Saraswati Prabhupada Thakur answers how to preach to others!
Question 2: How should one preach to others?
Answer: Different people undergo different types of misery, so it is necessary to treat each person individually. If the disease is not diagnosed properly, it is not feasible to ensure that the right cure is given and that the disease will go away. Therefore, a ‘platform speaker’ cannot render much benefit to those undergoing this plethora of miseries, although he can be of some use.
For the last forty years I have not been able to find even a single person. Those who have come to me listen to harikathā for one moment, but in the next moment they are unwilling to relinquish their dependence on their own understanding, prior knowledge and intelligence.
The people of this world are searching for popularity. In fact, it can be said that no one is actually searching for the Absolute Truth. Those who pose as preachers of religion are busy safeguarding their own position in society by saying whatever pleases the audience, so as not to make them angry. One cannot win ‘popularity’ by speaking or listening to the real truth. That is why we are not interested in the so called support of those who are averse to the Absolute Truth.

Bhakti Yoga- Sambandha, abhideya e prayojan.

Os três aspectos do processo de Bhakti-Yoga
A palavra sanscrita Yoga significa conexão com Deus e atualmente se refere á Bhakti Yoga,ou Yoga do amor e afeição, visto que Deus é amor e Deus também é afeição. Apenas o amor á verdade absoluta nos levará á terra de nossos sonhos. Deus é controlado pelo amor de seus devotos, assim como uma mãe é controlada pelo amor de seu filho. Não há outra maneira de se Ter uma visão absoluta do ser supremo á não ser cantando seu nome com amor e afeição.
Para explicar o nosso relacionamento com Deus, o que em sanscrito chama-se Sambandha, temos que Ter uma idéia de quem é o supremo e quem somos nós, e então descobriremos qual é a nossa relação com a verdade absoluta e indivisa.
Nos Vedas podemos encontrar explicações lógicas e simples sobre a natureza do ser e também de Deus. Neste verso falado por Mahaprabhu , resume-se nossa real posição em relação ao autócrata supremo(Krsna).
Jivera svarupa haya krsnera nitya das
Krsnera tatastha sakti bheda bheda prakas
Jivera svarupa haya significa a original forma e posição da entidade viva(jiva), Krsnera nitya das, aqui foi revelada nossa posição em relação á Deus (Krsna). Nitya quer dizer eterna, e das quer dizer servo, servo de quem? Então ele fala de Krsnera, Krsna , Deus. Mahaprabhu revelou que nossa posição original é de um servo eterno do senhor supremo, em conexão com a filosofia de igualdade e diferença simultaneas que significa que temos qualidades em comum em relação á Deus (sac-cit-ananda), mas ao mesmo tempo somos bastante diferentes e insignificantes de acordo com a quantidade destas qualidades.
Sabendo desta nossa eterna posição, Sriman Mahaprabhu deu nesta mais auspiciosa era de Kali, o processo com o qual podemos restabelecer esta conexão, que há tempos foi perdida, devido á nossa ambição de ser seres desfrutadores e não seres que servem. Tudo deve ser feito e oferecido ao proprietário, e não desfrutado e saboreado. Mas Deus é amor, porque ele age desta forma? Simples, porque ele sabe que sem este serviço, ninguém pode ser feliz, simplesmente por 'desfrutar' deste mundo e ter uma vida com interesses próprios. Ele sabe que apenas O servindo a pessoa poderá ser feliz e realizada pois esta é a função natural de todo ser vivo (Jiva Dharma). Deus não quer ver ninguém se lamentando e triste, sofrendo reações do proprio karma etc.. por isso ele de forma amorosa vem pessoalemente várias vezes na terra, e quando não está aki envia seus mensageiros, isto é misericórdia e amor á todos. Deus é amor e amor é Deus. Assim como o servo de um rei é mandado á forca ao roubar ou desfrutar da propriedade do rei , assim também ,nós , servos de Deus, somos mandados para esta cadeia de repetidos nascimentos e mortes por estarmos usurpando coisas que são para uso e fruto de seu criador. A maneira mais fácil de restabelecermos nossa conexão original é o processo de Yoga, Bhakti Yoga, praticada pelo cantar dos santos nomes de Deus, sob a guia de um expert no assunto, o Guru genuíno, o representante e guardião da verdade. Á isto dá-se o nome de Abidheya, a prática que nos leva á meta.
Harer nama harer nama harer namaiva kevalam
Kalau nasty eva nasty eva nasty eva gatih anyantah
Nesta atual era de ferro, não há outra maneir ade se livrar da cadeia de nascimento e morte há não ser os canto dos santos nomes de Krishna, dos santos de Krishna, dos santos nomes de Krishna.
E qual é a meta final? A meta não é liberação impessoal, não é exploração ou desfrute, e nem tampouco adquirir conhecimento, mas sim obter Krishna Prema. Prema em sanscrito quer dizer Amor Puro, um tipo muito profundo de extase, que enlouquece o praticante de Bhakti e o entorpece com os sentimentos de amor profundo á Deus. Esta é a meta última de todo ser vivo. Podemos encontrar em todas as escrituras sagradas que Deus é amor e que devemos desenvolver-mos nosso amor á ele, desenvolvendo com ele uma relação de amor e afeição. Á isto dá-se o nome de Prayojana, a meta que é alcançada através da prática de purificação do ser até que o ser se torna bem aventurado e puro.

srimad bhagavatam pramanam amalam
prema purmatho mahan
sri chaitanya mahaprabhu matan idam
tatradaro nah parah 
Aqui foi dada uma breve e fácil descrição das três grandes verdades do Bhagavat de acordo com as autoridades perfeitas, sábios auto realizados na ciência de Deus.
Gaura Premanande Hari Hari Bol!!!


Baladeva das b.

The mind may be the friend or enemy of one´s atma-soul.

You must never think that you are alone but you must remember that man’s mind may be the enemy or friend of man’s atma. God’s kindness does not consist in eliminating the difficulties we have to face, but in giving in the Shastrams clear and distinct instructions how to behave and conduct ourselves according to our stage of life. It is our eternal freedom to act accordingly or not. He does not interfere though He is in the personal form of Vishnu in every atma. His assistance starts in the degree of our willingness to serve Him, i.e., to do what He has laid down as injunctions of the Shastrams. What we experience as joy or suffering in this world, is entirely the result of our actions and nobody can absolve us from the consequences we have to bear – without escapism.

The difficulties for you all is this that you all take the conception of the world, its laws and rules, logical, physical, and evolution etc. for granted, that you cannot dare to doubt the validity of man’s brain and its rules in relation to the atma, God and His realm. You therefore take your own life and its events too importantly. There are countless universes with countless atmas like yours who have forgotten what they are – little, very little sparks of pure Consciousness or Knowledge who require the material world with body and mind to experience the world or the spiritual world to serve God, and who have freedom to decide, but require energy to materialize their wishes.

There are actually God’s ever present realm and the limited world at the same place – the latter’s presence does not limit His actual omnipresence. Your atma awakens, realizes His realm – your atma covered by body and mind experiences this tiring universe. – His Realm and this universe, like light and shadow. The shadow covers the vision of the atma, but does not cover the light

You must not lose patience. Everything goes step by step. Do not imagine anything, be not sentimental – but clear and determined to fulfil the duties in this world, while at the same time being aware of its uselessness for the real purpose of life. […]

Svami Sadananda Dasa, letter 1955

Artikel über die Natur der reinen Hingabe nach dem Gaudiya Vaishnava , von Swami Sadananda deutsche Schüler von Srila Thakur B.S. Saraswati geschrieben.

Vom gesamten Nachlass, von dem allein die Übersetzungen der Shastram-s über 4000 Manuskriptseiten umfassen, sind höchstens 10% abgeschrieben und davon wiederum erst 30% ins Englische oder Schwedische übersetzt.

Die vorliegenden Texte gliedern sich in folgende Textsorten: Briefe an Bhaktisiddhnta Sarasvati, Svami Bon, Vamandas oder Freunde in Schweden (oder von ihnen), die Korrekturen von Svami zu Vamandas’ „Gottesliebe“-Buch eingeschlossen (1933-1977), Tagebücher von Svami und Vamandas aus dem Internierungslager in Indien (1939-1945), Tagebücher von Svami aus der Zeit seiner Reisen mit Bhaktisiddhanta (1934-1936), Zeitungsartikel von Svami aus der indischen Zeitschrift der Gaudiya Math „The Harmonist“ (1935-1936) und handschriftliche oder maschinengeschriebene Manuskripte mit Übersetzungen von Svami aus den Shastram-s (ca. 1935-1976). Die Briefe enthalten oft auch Lieder, Gebete und Passagen aus den Shastram-s, die wir aber in gesonderten Dokumenten präsentieren. Außerdem sind die Briefe gekürzt, mit einer das Thema anzeigenden Überschrift von uns versehen und anonymisiert.

Einen Eindruck, unter welchen Umständen z.B die „Kadaca“ von Murari Gupta (129 Seiten, noch nicht abgetippt) übersetzt wurde, gibt der folgende Brief von Gauranga Ghoshe, einem armen Vaishnava, von dessen Familie Svami in Calcutta aufgenommen worden war, an Vamandas:

„You know with great, great difficulties all of us here tried our best to snatch him from the hands of Yama. You cannot imagine how his condition was since September: severe pain, his head getting cold all of a sudden during day or night. Doctors, injections, protein, medicines from Canada, careful diet at tremendous cost somehow made him get to read.

All on a sudden he decided to start on Murari’s notes. He went to a house of a man not far away from here only to sit there all the nights till dawn and write and think and write, and finishing Murari’s notes he was quite finished himself, as in that house there was nobody to look after him, to give him diets and medicines at hourly intervals as advised.

When your manuscript came, he worked like mad night and day and did not listen to anybody. The day after it was dispatched he collapsed and with great difficulties he was brought back to my house. We nurse him by turns, but you know we can give only our time and strength and love for him. To keep him alive means more than Rs 100 a month – only for medicines and doctors, without his food, diet etc. He tried to save to take a typewriter by instalments so that one copy of his notes be with him and you can read better what he writes, but he had to give it up and pay the doctor’s bill from it.” (1953)

Ebenfall 1953 entstand die Übersetzung der Raya Ramananda-Passage (45 Seiten) aus dem Caitanya Caritamritam (Svami an Vamandas):

„Da sitzen Sie beide im fernen Land und sehnen sich von Lila zu hören und Seva. Da habe ich mich dann aufgerafft, seit gestern vor einem lärmenden Hotel Radio sitzend, den Rai Ramananda für Sie mit Übersichten und Erklärungen durchzuarbeiten und niederzuschreiben. Es ist wohl nicht möglich, den Verfall des Leibes noch lange aufzuhalten.“

Das Caitanya Bhagavatam (487 Seiten) (ebenfalls noch nicht online) wurde unter ähnlichen Umständen übersetzt (1955):

„Da ist etwas ganz SCHRECKLICHES passiert! Ich hatte daran gedacht, eine wenige wichtige Dinge (zu Ihrer aller Kräftigung) aus der Lila Caitanya Devas zu berichten und in den 3 Wochen, als ich keine Post von Ihnen hatte, ein Paar Notizen dazu gemacht. Dann schlug ich das Caitanya Bhagavatam von Brindaban Das auf, das zwischen 1545–50 geschrieben wurde und ich vor 19 Jahren einmal genau studiert hatte. Das hat mich so schrecklich in Ekstase gesetzt, dass ich Barbaras schönes glattes Luftpapier nahm und seit 20 Tagen wie irrsinnig 18 Stunden per Tag zu übersetzen begann – wirklich ALLES, was nötig ist – außer ein paar geographischen Einzelheiten und den üblichen Pranama-Versen am Ende der Kapitel und am Anfange. In kleiner Ameisenschrift (mit Erläuterungen) habe ich in 65 Seiten (4 800 Shlokas von den 12 300 bereits) übersetzt.

Es ist ein UNERHÖRT AUFREGENDES Werk, man vergisst Essen und Trinken und Schlaf. Ich weiß nicht, ob der Leib standhält, bis zum Schluss, doch hoffe ich, am Ende dieses Monats rekommendiert, es per Luftpost an Sie schicken zu können. ALLES WAS SIE SOWEIT VON CAITANYA DEVA LASEN, AN QUELLEN UND BÜCHERN „ÜBER“, WIRD ZU BLASSEM SCHEIN vor dem leuchtenden Monde dieses Werkes. GLAUBEN SIE MIR, OHNE DIESEN TEXT KÖNNEN SIE KEINE AHNUNG HABEN, VON DEM WAS LILA IST, BESONDERS MIT DEN SEINEN. ES IST KEINE ÜBERTREIBUNG.“

Im Zentrum von Svami’s Leben stand immer die Seva der Wortgestalt Gottes. Gegenüber Vamandas erklärte Svami, wie man in einer Seva-Haltung übersetzt:

„Ohne dass man sich ganz einsam und allein weiß wie auf einer meerverschlagenen Insel – mit nur dem CC. und Bhagavatam und ernsthaft um den Inhalt jeden Wortes ringt, damit man den Weg finde und sich nicht verlaufe, – kann man NIE verstehen, was Krishna und Caitanyadeva wollen. Denn nur diese wichtigen Kommentare können verhindern, dass man sich und seine vasanas und samskaras in den Text hineinsprechen lässt und ihn verfälscht. […]

Ihnen fehlt es an Geduld des Hin-Horchens, Still-Aufnehmens, dem Interesse am innerlich Verarbeiten, an der Bereitschaft zum ERKENNENDEN Dienen, Sie spüren nicht, dass EINE Zeile, recht verstanden, wohl aufgeleuchtet in Ihrem Denken, der Schlüssel zur Ewigkeit sein kann. […] Die Offenbarungen der Veden etc. sind eben nicht GEGENSTAND der intellektuellen Ausbeutung, Gegenstand des WISSENS und WISSEN-WOLLENS, sondern des DIENENS und HÖRENS.

Klar und scharf ist das Licht der Erkenntnis der Offenbarung. Es lässt den Menschen, der wirklich hinhört, über nichts, auch nichts im Ungewissen, in mystischen Andeutungen, die man auslegen könnte wie man sie in seiner Maya-Intuition ,erlebt’.“

Der wissenschaftliche Apparat, den Svami benutze, passte wie er selbst sagte in „fünf große Stahlkoffer und sechs kleinere“:

„Mir ist so kalt in diesem warmen Lande. Wie sehne ich mich nach meinem Vamandas. Ihnen könnte ich schon zumuten, mir einen der schweren Bhagavata-bände zu reichen, die ich schon kaum noch aus den Koffern zu heben die Kraft habe, und Ihnen von den vielen wunderbar-heimlichen Schönheiten sprechen, die hinter diesen zähen harten Sanskrit-Konstruktionen sich verbergen. […] Ich habe Gouranga angewiesen, Ihnen mitzuteilen, falls Sadananda die Welt verlässt. 5 große Stahlkoffer und 6 kleinere, numeriert, stehen bereit, an Sie abgeschickt zu werden.“ (1955)

Die Bibliothek von Svami wurde 1987 der UB Basel von Phyllis Imhof, bei der Svami bis zu seinem Tirobhava 1977 ein Zimmer gemietet hatte, gestiftet. Sie umfasste ca. 250 Bände oder 8 Regalmeter, etwa die Hälfte davon ausschliesslich in indischen Sprachen, wie uns der zuständige Mitarbeiter, Benedikt Vögeli 2010 auf Nachfrage mitteilte. Handschriftliches von Svami wurde der UB Basel jedoch nie übergeben. 2001 wurde die Sammlung Schulze von einem wissenschaftlichen Mitarbeiter der UB bearbeitet. In diesem Zusammenhang hatte die Direktion nach Rücksprache mit Fachleuten der Uni Basel entschieden, dass der indischsprachliche Teil der Bibliothek (ca. 140 Titel) der Abteilung für Indologie der Universität Zürich übergeben werden sollte. Die restlichen Titel hat die UB Basel katalogisiert und in ihren Bestand überführt, sofern sie nicht bereits vorhanden waren. Die an der UB bereits nachgewiesenen Werke wurden der indogermanistischen Bibliothek der Uni Basel (unter Prof. Dr. Rudolf Wachter) übergeben.


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